domingo, 9 de setembro de 2012
INTEGRAÇÃO ENTRE MULHERES DA PAZ E PROTEJO
No dia 30 de agosto, jovens do Protejo e Mulheres da Paz compartilharam ricos momentos de integração e troca de conhecimentos culturais. O evento ocorreu no Centro de eventos da Escola Notre Dame. Mulheres da Paz e Protejo são projetos do PRONASCI Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. Estiveram presentes autoridades do Legislativo, Executivo, entidades executoras CDHPF Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo e empresa Evidence, aonde destacou-se a importância da integração dos dois projetos, pois visam promover a cidadania e combater a violência praticada contra jovens e mulheres.
Contamos com os professores de Educação Física, Jorge e Carolina da Associação Movimento e Cidadania que fizeram uma dinâmica de interação entre os dois grupos numa dinâmica de ritmos e memorizações. Em seguida, os projetos foram relatados pelas equipes de trabalho. Posteriormente iniciou a apresentação de um poema dramatizado. Esse foi um momento ímpar, pois fez o público perceber o verdadeiro sentido do mesmo. A platéia assistiu concentrada a todos os movimentos feitos, tanto na escrita quanto na entrada de símbolos.
Seguiram-se as apresentações do Protejo. Primeiramente, foi apresentado um teatro: Uma crônica de “Romeu e suas seis Julietas”. Os jovens conseguiram mexer com a platéia, sendo que ninguém ficou calado, uma gargalhada puxava a outra e assim sucessivamente. Em seguida, eles apresentaram um show com instrumentos musicais.
O professor Marcelo do Protejo encaminhou os dois grupos para a praça em frente à escola para finalização do encontro. Foi um momento de descontração, pois teve um show de jogos de capoeira e também músicas instrumentais apresentadas pelos jovens. As Mulheres da Paz interagiram dançando e batendo palmas. Uma das Mulheres da Paz encerrou o evento com algumas palavras de paz, ressaltando a mediação de conflitos e a cidadania como antídotos para a violência. Promotoras Legais Populares estiveram presentes no evento.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Combatendo a violência contra a mulher
Um grupo de 50 mulheres ativistas luta pelo fim da violência contra a mulher fortalecendo a discussão sobre a temática
“Após ter meus filhos encaminhados na vida, resolvi, depois de ouvir um anúncio de rádio, me inscrever para o curso de Promotoras Legais Populares. Hoje estou orientando as pessoas em reuniões da comunidade, nas escolas, com trabalho de prevenção. Ser uma promotora legal me deu segurança e novas informações de como prosseguir na luta contra a impunidade.
Atendo mulheres envolvidas em situação de violência doméstica, e tenho notado que as pessoas que eu oriento, começam a ver com um olhar mais crítico sobre seus direitos. Alguns direitos não sabíamos como defendê-los, como exigir que fossem cumpridos, e aprendemos muitos. Outros sequer conhecíamos; isso permite que no dia-a-dia possamos exercer nossa cidadania e ajudar outras pessoas a serem cidadãs.
Sempre fui bem quieta, gosto mais de ouvir do que falar. Ser uma PLP também me tornou interessada, tanto que voltei a estudar, completei o ensino fundamental, depois o médio parti para um desafio maior, faço faculdade de Filosofia”.
(Valda retomou os estudos depois de 32 anos motivada pelo projeto Promotora Legais Populares / FOTO LILIANA CRIVELLO)
Tornou a vida da responsável pela Coordenação e sistematização do programa, Valda Maria Nunes Delitzki, que voltou estudar depois de 32 anos.
Desenvolvido com 27 mulheres de Passo Fundo com intuito de formá-las sobre vários temas sociais mas fundamentalmente sobre a questão da violência contra a mulher, a Comissão de Direitos Humanos desenvolveu o projeto Promotoras Legais Populares através da Themis.
O curso foi realizado no ano de 2000 e disso resultou as Promotoras Legais Populares – PLPs que até hoje atuam em Passo Fundo no tema da violência contra a mulher. Este processo formativo e que resultou na formação de um grupo de ativistas que luta pelo fim da violência contra a mulher fortaleceu a discussão sobre essa temática em Passo Fundo resultando, posteriormente, na criação da Coordenadoria da Mulher, na delegacia da mulher, no conselho municipal da mulher e nas atividades realizadas anualmente que denuncia a situação de violência que ainda as mulheres sofrem como a campanha dos 16 dias de ativismo, as mobilizações e manifestações que as PLPs, a CDHPF e outras entidades realizam em Passo Fundo para denuncia a situação em cobrar ações do poder publico no enfrentamento do problema. Esta mesma experiência da Comissão junto às promotoras legais populares foi fundamental para que hoje a entidade seja a executora do projeto Mulheres da Paz que deverá fortalecer a luta pelo fim da violência contra a mulher em Passo Fundo.
A Comissão
A CDHPF há mais de 25 anos trabalha na promoção e defesa dos direitos humanos em Passo Fundo. Conforme o coordenador da comissão, Jorge Peralta, durante esse tempo, inúmeros projetos foram desenvolvidos que impactaram positivamente na cidade e hoje fazem parte da mudança social dos municípios. “Entre outros, citamos o trabalho realizado junto aos moradores do Beira Trilho levantando a problemática que envolve essa situação, a violação do direito à moradia e outros direitos. Mesmo que isso não tenha significa concretamente uma mudança na vida daquelas pessoas, o poder público e outras entidades começaram a fazer um debate sobre a temática. O problema ficou conhecido na cidade e várias iniciativas foram realizadas a fim de solucionar o problema, como o grupo de trabalho municipal que estuda o caso”, afirma Peralta.
Segundo ele, outro tema importante envolvendo o trabalho da Comissão foram as campanhas de sensibilização sobre os direitos humanos, seja através de cartazes, Spots e VTs veiculados nos meios de comunicação local. “Estas campanhas foram no intuito sensibilizar às pessoas sobre o que significa falar de Direitos Humanos, que isso vai muito além de uma mera sorte, que Direitos Humanos não simplesmente defesa de bandidos, como muitos o entendem, mas diz respeito ás condições de vida necessárias para a dignidade humana”, ressalta o coordenador.
Peralta lembra que o Colóquio Nacional de Direitos Humanos, colocou Passo Fundo no centro do debate sobre direitos humanos em nível nacional, cuja V edição foi realizada este ano. “O ex Ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannichi sugeriu inclusive que Passo Fundo fosse, além da Capital Nacional da Literatura, a capital nacional dos direitos humanos por causa do Colóquio. O Colóquio coloca Passo Fundo na agenda social nacional”, conta.
(Valda retomou os estudos depois de 32 anos motivada pelo projeto Promotora Legais Populares / FOTO LILIANA CRIVELLO)
Direito Humano à Cidade
De acordo com Peralta, outra ação, ainda em processo de desenvolvimento, é o projeto Direito Humano à Cidade. Este projeto vem sendo desenvolvido pela comissão e implica fundamentalmente na realização de reuniões junto às lideranças dos 22 setores da cidade. “São duas rodadas de reuniões, a primeira foi para fazer um levantamento das demandas sociais dos setores e a segunda para sistematização dessas demandas. Dois educadores da comissão acompanham essas reuniões e no final do processo o produto esperado é que cada liderança desses setores tenham sistematizado suas demandas para que o direito à cidade fosse respeitado”, explica ele.
Destaca o coordenador que essas reuniões mobilizaram mais de 260 lideranças do município na discussão sobre os desafios colocados para que Passo Fundo seja uma cidade que garanta a dignidade das pessoas. Uma agenda popular dos setores será sistematizada no final do processo formativo. Este conjunto de reuniões deverá servir, posteriormente, para que cada setor tenha subsídios para cobrar do poder publico a garantia dos direitos necessários para o respeito aos direitos humanos.
(Um dos trabalhos realizados pela Comissão foi feito junto aos moradores do Beira Trilho, levantando a problemática que envolve a situação, a violação do direito à moradia / FOTO LILIANA CRIVELLO)
Matéria feita pelo Jornal Diário da Manhã no dia 07/08/2012 link para ver a matéria : file:///C:/Documents%20and%20Settings/Valda/Desktop/Combatendo%20a%20viol%C3%AAncia%20contra%20a%20mulher.htm
20/08 - Entrevista com Clara Charf: uma vida pela liberdade e pelos direitos das mulheres
Data: 20/08/2012
MULHERES QUE TRANSFORMAM O BRASIL
por Rejane Lopes
O caminho de Clara Charf em defesa da paz, dos direitos e pela igualdade começou em 1945, quando fez parte dos protestos contra a bomba atômica durante a Guerra Fria e de vários congressos em prol da paz. Na década de 1950, lutou contra o envio de soldados brasileiros para Guerra da Coréia. Com o Golpe Militar de 1964, perdeu o companheiro Carlos Marighella, um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar, assassinado em 1969. Ela teve seus direitos políticos cassados, entrou para a clandestinidade e foi exilada por quase dez anos e só retornou com a Anistia.
Hoje, segue lutando com a lucidez de quem dedicou a vida à causa da igualdade. Clara Charf participa da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, é presidente da Associação de Mulheres pela Paz e conselheira emérita do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão vinculado à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Em entrevista ao boletim informativo Mulheres em Pauta, Clara Charf falou de sua trajetória feminista.
Trajetória de lutas
Estou nessa luta social desde 1945. Naquele tempo não existia o movimento feminista, existia o movimento feminino, das mulheres. Desde então sempre atuei na perspectiva da libertação das mulheres. Passei por todas as etapas da repressão, democracia e liberdade. Antes era o facismo, depois veio a democracia, com a derrota de Hitler. Pertenci a primeira Liga Feminina do Estado da Guanabara. Nossa luta era para as crianças terem creche, eram coisas que compunham a vida da mulher, mas não eram coisas específicas para as mulheres. Durante muitos anos participei da luta contra o custo de vida, o direito à habitação, direito à educação, direito à saúde, sempre as mulheres participaram muito de todas essas frentes.
Resistência
No golpe militar, as organizações populares quase todas foram perseguidas e fechadas. Eu era da Liga Feminina do Estado da Guanabara, fechou tudo naquela época. Derrubaram tudo, acabaram com a Liga, passamos atuar clandestinamente, pelo direito a viver e à liberdade. Mas a luta continuou, depois mataram meu companheiro (Carlos Marighella). Fui obrigada a me exilar em Cuba, onde trabalhei como tradutora de cabine.
Direitos das mulheres
Ao voltar, com o fim da ditadura militar me reintegrei no trabalho com mulheres. Recebi a proposta de ser candidata a deputada pelo PT. Tive 19.560 votos, mas não deu para eleger. As mulheres queriam que eu fosse candidata, mas meu sonho não era ser parlamentar. Era atuar no movimento feminista. Continuei trabalhando e participei de todas as organizações existentes. Eu trabalhei na primeira Secretaria de Mulheres do PT. Depois fui assessora da prefeita Luiza Erundina, entre 1989 e 1993, em um trabalho com mulheres na prefeitura de São Paulo. Logo depois, fui convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Feminismo
As mulheres sempre lutaram ao longo da história da humanidade, mas o movimento de mulheres se desenvolveu a partir dos primeiros movimentos socialistas. Foi a partir daí que as mulheres começaram a se organizar. No Brasil, as mulheres sempre se incorporaram à luta democrática; umas mais, outras menos. Durante a ditadura militar as mulheres foram mortas, presas, torturadas, inclusive a ministra Eleonora Menicucci e a presidenta Dilma Rousseff.
No princípio, as mulheres não lutavam por defender seus direitos, mas se somavam às lutas pela democracia e liberdade. Só muito tempo depois é que elas passaram a buscar oportunidades iguais as dos homens para conquistar a igualdade em todos os terrenos, político, social e econômico.
A luta das mulheres é um processo que atravessou fases e épocas políticas diferentes, com suas bandeiras de lutas também diversas. No movimento pela anistia política, as mulheres se organizaram em várias frentes. Com a continuidade da luta a gente conquistou a democracia. O movimento de mulheres e o movimento feminista cresceram muito e estão em todos os estados do país.
Movimento de mulheres
O movimento de mulheres foi um movimento geral, as mulheres lutaram para que habitação fosse mais barata e que o posto de saúde atendesse o filho. Tem muitas experiências desse tipo de luta: casa decente para morar, ter trabalho para defender as crianças, ter creche, sempre tinha alguém fazendo esse tipo de trabalho. As lutas das mulheres, do ponto de vista da mulher e para a mulher se desenvolveu depois da segunda Guerra Mundial. As mulheres continuam umas solteiras, outras casadas. Isso não é problema algum, o problema é como elas se posicionam diante da vida, diante da luta diante dos problemas do país. No CNDM, praticamente todas as mulheres que estão aqui são feministas.
CNDM
Posso destacar que hoje as mulheres trabalham profissionalmente e politicamente em vários segmentos da sociedade, na cidade e no campo. Antes isso não acontecia, o lugar da mulher era cuidar da casa e dos filhos. O CNDM é uma expressão disso, são mulheres de todos os estados e de várias profissões que o compõem para discutir a emancipação feminina em todos os sentidos.
Outro avanço que conquistamos é o fato de o movimento feminista ter conseguido denunciar e colocar em evidência a violência contra a mulher, um problema ainda muito agudo. O Conselho está insistindo nesse trabalho que, dentre outros, é um dos mais importantes atualmente. Antigamente, a violência contra as mulheres só vinha à tona em casos escandalosos.
Hoje as mulheres têm maiores possibilidades de pressionar os órgãos da justiça e têm mais consciência e mais coragem de enfrentar esta situação. A Lei Maria da Penha foi um fator muito importante para ajudar a população em torno dessa luta. Porém, a violência ainda persiste. O que é trágico - mesmo que a sociedade tenha se desenvolvido e a mulher tenha ocupado mais espaço no mercado de trabalho - continua havendo violência.
Desafios
É claro que as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades e ainda há lugares em que elas são discriminadas e não têm participação social e política. Há ainda muito a ser conquistado: igualdade em todos os empregos, igualdade salarial, mais cultura, emprego digno e decente para todas. São desafios que fazem parte da luta da mulher.
Desejos para o futuro
Que a presidenta Dilma faça um governo maravilhoso. Pra mim, como mulher, é um honra ver uma mulher sendo presidente da República. Espero que ela possa fazer muitas coisas em benefícios das mulheres. Quero que continue a democracia, a liberdade e que as mulheres possam usar toda a energia e a inteligência que têm para melhorar sua situação perante a nação brasileira.
por Rejane Lopes
O caminho de Clara Charf em defesa da paz, dos direitos e pela igualdade começou em 1945, quando fez parte dos protestos contra a bomba atômica durante a Guerra Fria e de vários congressos em prol da paz. Na década de 1950, lutou contra o envio de soldados brasileiros para Guerra da Coréia. Com o Golpe Militar de 1964, perdeu o companheiro Carlos Marighella, um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar, assassinado em 1969. Ela teve seus direitos políticos cassados, entrou para a clandestinidade e foi exilada por quase dez anos e só retornou com a Anistia.
Hoje, segue lutando com a lucidez de quem dedicou a vida à causa da igualdade. Clara Charf participa da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, é presidente da Associação de Mulheres pela Paz e conselheira emérita do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão vinculado à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Em entrevista ao boletim informativo Mulheres em Pauta, Clara Charf falou de sua trajetória feminista.
Trajetória de lutas
Estou nessa luta social desde 1945. Naquele tempo não existia o movimento feminista, existia o movimento feminino, das mulheres. Desde então sempre atuei na perspectiva da libertação das mulheres. Passei por todas as etapas da repressão, democracia e liberdade. Antes era o facismo, depois veio a democracia, com a derrota de Hitler. Pertenci a primeira Liga Feminina do Estado da Guanabara. Nossa luta era para as crianças terem creche, eram coisas que compunham a vida da mulher, mas não eram coisas específicas para as mulheres. Durante muitos anos participei da luta contra o custo de vida, o direito à habitação, direito à educação, direito à saúde, sempre as mulheres participaram muito de todas essas frentes.
Resistência
No golpe militar, as organizações populares quase todas foram perseguidas e fechadas. Eu era da Liga Feminina do Estado da Guanabara, fechou tudo naquela época. Derrubaram tudo, acabaram com a Liga, passamos atuar clandestinamente, pelo direito a viver e à liberdade. Mas a luta continuou, depois mataram meu companheiro (Carlos Marighella). Fui obrigada a me exilar em Cuba, onde trabalhei como tradutora de cabine.
Direitos das mulheres
Ao voltar, com o fim da ditadura militar me reintegrei no trabalho com mulheres. Recebi a proposta de ser candidata a deputada pelo PT. Tive 19.560 votos, mas não deu para eleger. As mulheres queriam que eu fosse candidata, mas meu sonho não era ser parlamentar. Era atuar no movimento feminista. Continuei trabalhando e participei de todas as organizações existentes. Eu trabalhei na primeira Secretaria de Mulheres do PT. Depois fui assessora da prefeita Luiza Erundina, entre 1989 e 1993, em um trabalho com mulheres na prefeitura de São Paulo. Logo depois, fui convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Feminismo
As mulheres sempre lutaram ao longo da história da humanidade, mas o movimento de mulheres se desenvolveu a partir dos primeiros movimentos socialistas. Foi a partir daí que as mulheres começaram a se organizar. No Brasil, as mulheres sempre se incorporaram à luta democrática; umas mais, outras menos. Durante a ditadura militar as mulheres foram mortas, presas, torturadas, inclusive a ministra Eleonora Menicucci e a presidenta Dilma Rousseff.
No princípio, as mulheres não lutavam por defender seus direitos, mas se somavam às lutas pela democracia e liberdade. Só muito tempo depois é que elas passaram a buscar oportunidades iguais as dos homens para conquistar a igualdade em todos os terrenos, político, social e econômico.
A luta das mulheres é um processo que atravessou fases e épocas políticas diferentes, com suas bandeiras de lutas também diversas. No movimento pela anistia política, as mulheres se organizaram em várias frentes. Com a continuidade da luta a gente conquistou a democracia. O movimento de mulheres e o movimento feminista cresceram muito e estão em todos os estados do país.
Movimento de mulheres
O movimento de mulheres foi um movimento geral, as mulheres lutaram para que habitação fosse mais barata e que o posto de saúde atendesse o filho. Tem muitas experiências desse tipo de luta: casa decente para morar, ter trabalho para defender as crianças, ter creche, sempre tinha alguém fazendo esse tipo de trabalho. As lutas das mulheres, do ponto de vista da mulher e para a mulher se desenvolveu depois da segunda Guerra Mundial. As mulheres continuam umas solteiras, outras casadas. Isso não é problema algum, o problema é como elas se posicionam diante da vida, diante da luta diante dos problemas do país. No CNDM, praticamente todas as mulheres que estão aqui são feministas.
CNDM
Posso destacar que hoje as mulheres trabalham profissionalmente e politicamente em vários segmentos da sociedade, na cidade e no campo. Antes isso não acontecia, o lugar da mulher era cuidar da casa e dos filhos. O CNDM é uma expressão disso, são mulheres de todos os estados e de várias profissões que o compõem para discutir a emancipação feminina em todos os sentidos.
Outro avanço que conquistamos é o fato de o movimento feminista ter conseguido denunciar e colocar em evidência a violência contra a mulher, um problema ainda muito agudo. O Conselho está insistindo nesse trabalho que, dentre outros, é um dos mais importantes atualmente. Antigamente, a violência contra as mulheres só vinha à tona em casos escandalosos.
Hoje as mulheres têm maiores possibilidades de pressionar os órgãos da justiça e têm mais consciência e mais coragem de enfrentar esta situação. A Lei Maria da Penha foi um fator muito importante para ajudar a população em torno dessa luta. Porém, a violência ainda persiste. O que é trágico - mesmo que a sociedade tenha se desenvolvido e a mulher tenha ocupado mais espaço no mercado de trabalho - continua havendo violência.
Desafios
É claro que as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades e ainda há lugares em que elas são discriminadas e não têm participação social e política. Há ainda muito a ser conquistado: igualdade em todos os empregos, igualdade salarial, mais cultura, emprego digno e decente para todas. São desafios que fazem parte da luta da mulher.
Desejos para o futuro
Que a presidenta Dilma faça um governo maravilhoso. Pra mim, como mulher, é um honra ver uma mulher sendo presidente da República. Espero que ela possa fazer muitas coisas em benefícios das mulheres. Quero que continue a democracia, a liberdade e que as mulheres possam usar toda a energia e a inteligência que têm para melhorar sua situação perante a nação brasileira.
Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR
terça-feira, 17 de julho de 2012
Mulheres da Paz Articulando Cidadania
As 200 Mulheres da Paz realizaram, durante o mês de junho, atividades que visaram a divulgação de seu trabalho social nos bairros onde atuam e moram. Participaram de reuniões nas escolas, nas igrejas, nas associações de bairros. Realizaram visitas domiciliares nas ruas próximas às suas residências. Realizaram caminhadas com distribuição de folders e colagem de cartazes, divulgando o Projeto e o seu trabalho social. Divulgaram seu trabalho na Câmara de Vereadores de Passo Fundo e TV Câmara. Desta forma, as Mulheres da Paz colocaram-se à disposição da comunidade para serem articuladoras de cidadania.
O trabalho social que as mulheres desenvolverão em seus bairros começou em junho de 2012 e acabará no mês de abril de 2013. O trabalho social compõe a meta estabelecida pelo Ministério da Justiça para o recebecimento de uma bolsa auxílio mensal de R$ 190,00. As metas mensais do trabalho social são 12 visitas domiciliares, 05 encaminhamentos à equipe multidisciplinar e a participação em uma reunião com alguma entidade do bairro. Todo o trabalho social é acompanhado e orientado pela equipe multidisciplinar composta por uma advogada, uma assistente social, uma psicóloga e três educadoras sociais.
O Projeto Mulheres da Paz é uma parceria entre o Governo Federal, através do Ministério da Justiça e o município de Passo Fundo, coordenado pela Secretaria de Segurança Pública e executado pela Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
De liberdade, democracia e voto.
O voto não tem preço, tem consequências" (Campanha Voto Cidadão)
As eleições municipais caracterizam-se por uma disputa densa, acirrada e mais controlada pelos agentes da política. A relação estabelecida entre candidatos e eleitores quase sempre pressupõe, como moeda de troca, favores e promessas de cunho pessoal, direto e familiar. Neste contexto, a compra de voto é uma prática recorrente, apesar de proibida. As promessas mirabolantes e oportunistas também são utilizadas na perspectiva de soluções fáceis, para problemas complexos. Corromper e ser corrompido tornam-se atos quase naturais, próprios da atividade política e partidária, em tempos eleitorais.
Nosso povo já tem a consciência de que vender seu voto é vender-se. Sabe que trocar seu voto por algum benefício é abrir mão de sua consciência. Por outro lado, vê nas eleições uma oportunidade única de resolver algum de seus mais eminentes problemas ou dificuldades. Em grande medida, associa compra de votos a ações que envolvem transações de dinheiro, mas não à obtenção de utensílios, vantagens ou bens materiais como uma carga de pedra, um poste de luz, uma oportunidade de emprego, um rancho, uma dúzia de telhas ou de tábuas, uma consulta médica. Para muitos, o período eleitoral torna-se oportunidade de um décimo terceiro ou quarto salário, e que tem prazo para ser cobrado: até o dia da eleição.
O descrédito dos políticos está na base das atividades que geram a corrupção. A facilidade com que os mesmos fazem política, sem levar em conta os interesses da coletividade, descaracterizou a atividade política, confundindo política e politicagem. Estranho é que, aqueles que condenam tais práticas, fazem uso dela para beneficiar-se, contribuindo assim para uma cultura em que o bem comum é relativizado, prevalecendo sempre a conquista sorrateira e indevida dos favores ou benefícios conseguidos em períodos eleitorais. É igualmente uma ilusão achar que temos liberdade se muitos de nós estão iludidos naquilo que tem de decidir.
Muitos políticos odeiam os que combatem as práticas ilícitas de galgar consciências e votos. Muitos políticos não gostam nada das Campanhas de Voto Cidadão ou Voto Consciente. Muitos deles detestam os que pregam o voto consciente e cidadão. Mas como posicionar-se contra estes lhes custaria um alto preço, buscam desqualificá-los pessoalmente, saindo da esfera democrática e das ideais para a esfera da desconstituição moral, pública e política.
A desmotivação e o desinteresse da população pela política também é originada pela pouca renovação das pessoas nos cargos do legislativo e do executivo. Eleição após eleição, quase sempre os mesmos é que se elegem, criando assim uma classe profissionalizada de políticos. As câmaras de vereadores acabam sendo pouco representativas pelo número de vereadores que podem ser eleitos, principalmente nas médias e grandes cidades.
O verdadeiro compromisso da democracia deve ser a efetivação dos direitos já conquistados na legislação na vida prática e cotidiana de todos os cidadãos e cidadãs. É preciso revigorar a democracia para o atendimento das necessidades coletivas, orientando os agentes políticos para que suas decisões sejam feitas a favor das maiorias. Os direitos não são benefícios, mas resultado de conquistas da sociedade.
As eleições municipais são uma oportunidade de nos reconhecermos como moradores/habitantes das cidades. Como expressa bem uma campanha da Justiça Eleitoral, "uma cidade é a cara de quem a governa". A verdadeira política é aquela que está em busca de soluções para os nossos maiores problemas. E eleição não é um jogo (como o de futebol), mas tem a ver com o compromisso e o enamoramento que todos nós assumimos com a gente mesmo. Afinal de contas, quem é a cidade senão a sua gente?
Nei Alberto Pies professor e ativista de direitos humanos
(pies.neialberto@gmail.com)
(pies.neialberto@gmail.com)
domingo, 17 de junho de 2012
Mulheres da Paz começam trabalho de campo
Neste dia 14 de junho as mulheres da paz das quatro regiões de Passo
Fundo reuniram-se no salão do júri para uma atividade que teve o objetivo de integrar
e fortalecer os laços com a equipe multidisciplinar e as entidades e autoridades
parceiras do projeto. Inclusive com a presença das Promotoras Legais Populares.
Durante o evento, representantes de cada uma das regiões de abrangência
do Projeto Mulheres da Paz se manifestaram sobre o desafio de serem
conselheiras e mediadoras de conflitos. Elas também entregaram às autoridades
uma “Carta Aberta” das Mulheres da Paz para Passo Fundo.
A partir dos
próximos dias, elas começarão a atuar junto às comunidades, aonde terão a
responsabilidade de difundir a cultura da paz, por
meio de ações sociais.
Carta das Mulheres da
Paz para a comunidade de Passo Fundo
Nós, Mulheres da Paz de Passo
Fundo, através do conhecimento que construímos, temos a missão de ouvir e
orientar as pessoas da comunidade para que busquem uma vida com dignidade
humana.
Sabemos que vivemos numa democracia
e, por mais que seja possível apontar uma série de problemas existentes na vida
social e política da nossa sociedade, não podemos enfraquecer diante desta
realidade, precisamos sim, é lutar pela garantia dos direitos humanos, de todo
cidadão e toda cidadã.
Quando refletimos sobre os direitos
humanos sonhamos com uma Passo Fundo melhor, onde haja, conforme estabelece a
nossa lei maior, a Constituição Federal, igualdade, respeito, educação, saúde,
trabalho, segurança e lazer para todos/as.
Para que isso se torne realidade é
preciso ter um olhar carinhoso para as pessoas que residem nas periferias, o
cinturão que envolve nossa cidade, pois elas não têm esses direitos preservados
e garantidos. Cabe a nós, Mulheres da Paz, ajudar a comunidade a enfrentar as
violações de seus direitos e, mais do que isso, ajudá-las a viver protegidas
para que nenhum de seus direitos seja violado.
Acreditamos no sucesso de nossa
caminhada, mas para isso precisamos de uma integração de todos os órgãos
públicos locais para, dessa forma, podermos agir para mudar a realidade atual
de nossos bairros em alguns pontos específicos. Por isso viemos, por meio
desta, reafirmar alguns direitos que, em nossa visão, ainda não estão sendo
garantidos na íntegra.
No que se refere à saúde, temos
como necessidades primordiais a qualificação dos ambulatórios para que as vagas
sejam preenchidas, com médicos especialistas à disposição e, ainda, para que
haja Cais conforme a demanda dos bairros.
Quanto à juventude, é essencial que
se invista em políticas públicas de prevenção e tratamento para dependentes
químicos, devido à grande demanda do momento. Temos também que ampliar os
espaços públicos para a convivência da juventude, para a prática de esportes e
para o lazer em geral.
Fundamental também que tenham acesso à educação de qualidade.
Em relação à educação e à moradia,
avaliamos a urgência de escolas de ensino médio nos bairros que ainda não tem
este atendimento, pois em razão da ausência de condições de acesso à escola,
adolescentes e jovens trocam o conhecimento pelas ruas. Também há a necessidade
urgente de retorno do funcionamento das creches em turno integral, já que os
pais não trabalham apenas meio turno. No que se refere à moradia, uma atenção
maior para as necessidades primárias, viabilizando água e luz.
Em razão de a violência doméstica
ser marcante em nosso município, precisamos que a Delegacia da Mulher funcione
permanentemente, inclusive com plantões nos finais de semana. Também são
necessárias políticas públicas de prevenção à violência e a melhorias na rede
de atendimento à Mulher. E ainda, conforme prevê a Lei Maria da Penha,
necessitamos da criação de juizados especiais para atender a violência
doméstica e familiar contra a mulher. Acima de tudo precisamos reeducar a
sociedade para que as mulheres não tenham seus direitos violados.
Por isso, contamos com o apoio da
sociedade e, principalmente, do poder público para que a nossa luta não seja em vão. De forma integrada e
contendo com o engajamento consciente de cada cidadão/ã podemos construir uma
cultura de paz com vistas ao crescimento de nossa comunidade de modo que todos
possam viver com dignidade humana.
domingo, 3 de junho de 2012
Ações sociais das Mulheres da Paz
Ações sociais das Mulheres da Paz
Durante os meses de abril e maio, as Mulheres da Paz de Passo Fundo reuniram-se em muitos encontros de capacitação, troca de experiências, planejamento, animação e preparação para o trabalho social que desenvolverão a partir do mês de junho. Foram 68 horas de capacitação básica que deram às mesmas as bases para a compreensão de seu papel como orientadoras de cidadania na perspectiva dos direitos humanos. Durante os próximos 10 meses de duração do Projeto, conciliarão seu trabalho social com capacitação permanente, participação em eventos sociais e monitoramento de suas ações através da equipe multidisciplinar.
Dentro em breve, as mulheres da Paz serão percebidas e reconhecidas nos 12 bairros em que as mesmas moram e atuam: Bairros Zachia, Valinhos, Vera Cruz, Santa Marta, Grande Integração, Cruzeiro, São Luiz Gonzaga, Manoel Corralo, Entre-Rios, Victor Issler, Vila Annes e Bom Jesus. No mês de junho, a incidência maior de seu trabalho nos bairros será o da apresentação do Projeto Mulheres da Paz, do seu papel, das suas atividades, colocando-se à disposição da comunidade para a escuta, o reconhecimento e a percepção das demandas de cidadania.
O foco do Projeto Mulheres da Paz são a violência contra a mulher e os jovens em vulnerabilidade social. O Projeto é uma parceria entre o Governo Federal, através do Ministério da Justiça e o Município de Passo Fundo, coordenado pela Secretaria de Segurança Pública e executado pela Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo.
Crédito das fotos: Divulgação CDHPF
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